Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

segunda-feira, 30 de junho de 2008

EM CONVERSA COM A AUTORA DO BLOG "MOMENTOS-DE-VIDA"



Diva, autora do Blog Momentos de Vida, é uma jovem moçambicana, casada e mãe . É licenciada na área de Letras.
Falar da minha entrevistada de hoje é uma coisa que se faz com gosto. O perigo, habita na vulgaridade das palavras para descrever uma personalidade tão rica, polémica , multifacetada e frontal. O perfume e o aroma da sua escrita liberta-nos do marasmo e da espuma dos dias cinzentos: “ um momento, uma palavra, uma música, um amigo, uma risada, uma besteira, é isso que me deixa feliz”.
Vamos à entrevista?

1 . Como interpretas a disseminação e o interesse crescentes pelo fenómeno blogue?
O individualismo e a globalização são sem dúvidas o começo e o fim da roda gigante do interesse aos blogues. O primeiro porque no blog normalmente o "eu" é o centro. Por mais que nos generalizemos ao máximo acabamos chegando sempre ao lugar que mais nos interessa: o nosso umbigo. Já a globalização nos obriga a irmos e virmos dentro da bloguesfera na única forma possivel de nos descobrirmos no seio do mundo. " O que sou? Quem sou afinal em relação a..."

2. A presença do sexo forte (leia-se, das mulheres) também, aqui ,tem sabido afirmar-se e conquistar o seu espaço?
Acho que sim. Afinal, desde que as nossas ávos queimaram os soutiãs em praças públicas que o gene da conquista se emprenhou em cada uma de nós. Hoje ser mulher requer acima de tudo isso, o EQUILIBRIO PERFEITO em acrescentar isto e mais aquilo, tarefas, deveres, culpas, desejos, filhos, homens, luxos, cargos, blogs... a quase unipotência em forma de gente somos nós. Ser mulher dentro e fora da blogesfera é muito parecido. Dai, que não me surpreenda o facto que a presença feminina no virtual também seja grande.

3. 3.Na blogosfera, navegas à vista ou preferes rumar para destinos já conhecidos?
Hummmm.... tudo depende do meu estado de espirito. Umas vezes sei exatamente onde quero ir. Em outras deixo que a rede me leve. Gosto de descobrir coisas novas e isso é o que não falta na internet. Músicas, blogs, imagens, textos, pessoas...

4. Quais as motivações que a conduziram à criação de um blog?
Nada muito concreto me levou ao blog, confesso. Um amigo que já tinha um blog a alguns anos gostou da minha escrita e sugeriu que eu fizesse um. Aos poucos cheguei lá. Viciei-me e descobri que queria ficar. Afinal, sai mais em conta que um psicanalísta e muito menos chato que um padre.

5 . Qual a tua opinião sobre a blogosfera?
Confusa. Viciante. É um total emaranhado de ideias e coisas. Boas ou más. Depende do que procuramos ou encontramos.

6. Os blogues poderão substituir a imprensa online?
Pouco provável, mas como nunca digo nunca... Afinal... pensando bem, aos poucos a TV toma o lugar do cinema, a internet o lugar dos livros, o mp3 do rádio e assim caminha a humanidade...

7. Em que medida os blogues intervêm na tua vida pessoal e profissional?
Muitooooo hehehe... tem dias que deixo o café ou o almoço de lado para ficar a escrever ou a cuscar pelos blogs, o que vivo acaba mais cedo ou mais tarde dentro de palavras ou imagens no blog, quando o máu humor e a tpm chegam prefiro mil vezes o blog que o blá blá dos amigos ou colegas. Atrasar a saída do trabalho porque perdi tempo a bloggar e deixei algum relatório por terminar, então.... xiiiii.... melhor nem continuar!

8. O que é para ti, um bom blog?
Boa pergunta. Um bom blog... tem de ser diferente, destacar-se em álgum aspecto, conseguir captar os meus sentidos em conjunto. Tenho de lê-lo e sentir o que lá está escrito ou mostrado com honestidade ou magia total. Tenho de sentir todos os aromas sugeridos pelas notícias, poesias ou reflexões do autor. Preciso daquele click... o mesmo que precisa acontecer em tudo o que gosto.

9. A tua participação na blogosfera tem sido gratificante?
Para mim sim. Para os outros sei lá, nunca me preocupei muito com isso.

10. Livremente, responde, por favor, àquela pergunta que eu deveria ter feito
Se preferia nunca ter começado? Mil vezes sim. Mas como aqui estou, fico e refico. Continuo esperando surpresas boas da blogesfera, anexando-me ideias novas e bem constituidas que me sejam úteis na formação continua daquilo que busco tanto para mim como para aqueles que de forma directa ou indirecta recebem influências da minha existência... Bjs meus

domingo, 29 de junho de 2008

A REVOLTA DOS INTRUSOS


Xenofobia é território de estudo do peruano Danilo Martuccelli, professor de sociologia na Universidade Lille 3, na França. Para esse tema dedicou não só teses acadêmicas, mas um livro (Racisme et Xenophobie en Europe, ed. La Découverte).
Numa entrevista concedida ao “O Estado de S. Paulo” o professor analisa o impacto da legislação da UE sobre os países membros, ao mesmo tempo que tenta explicar o endurecimento legal, de um lado, e as perspectivas de milhões que vivem em situação de vulnerabilidade e incerteza, de outro. (Só de brasileiros, são 2,7 milhões os que deixaram o País). Fala dos medos sociais que capturam o imigrante e fazem sua expiação. Ataca o economicismo que cega parlamentos e governos na busca de soluções. E chama atenção para o aumento de mulheres deixando seus países de origem: “Emigrar já não é mais um projecto masculino”.
O que se viu nos últimos anos e o que se vê neste momento, com essas leis, é que a gestão de imigração no continente europeu obedece a dois critérios. Primeiro: o imigrante ameaça a segurança interna, portanto, é assunto da polícia. Segundo: querem ver a imigração exclusivamente sob a óptica económica, como forma de se garantir ingresso de mão-de-obra, suprindo dificuldades demográficas. Essas duas visões, extremamente redutoras, não incorporam as dimensões social, cultural e humana da imigração. Ao contrário, transformam o imigrante no bode expiatório dos medos sociais.
O primeiro deles, a meu ver, tem índole demográfica. Em 1900, a Europa reunia aproximadamente 20% da população do planeta. Hoje tem 11%. Em 2050 terá 4%. Parece evidente que nos próximos anos a região terá de passar por algumas ondas migratórias.
Durante muito tempo a Europa se baseou num modelo de desenvolvimento que buscava, ao mesmo tempo, a eficácia de mercado e a regulação do Estado sobre a economia. Esse modelo variou de país para país, mas, essencialmente, dependia de algo chamado “coesão social”. O que se viu nos últimos anos? A coesão europeia foi tremendamente desestabilizada pela globalização no mundo do trabalho. Assistimos a um crescente empobrecimento das classes médias e o surgimento de vulnerabilidades nos sectores populares. Isso dá origem a uma ansiedade que acaba por traduzir-se em intolerância aos de fora. Um outro medo se articula em torno da ideia de nação. Até pela configuração da UE, as nações europeias sentem-se ameaçadas. Mas por quem? Pelo quê? Por um projecto europeu e por nacionalismos que estão desabrochando .A desestabilização vem daí: uma nação, seja ela alemã, francesa ou espanhola, tem que dar lugar a uma cidadania europeia, ao mesmo tempo em que lida com regionalismos reactivados. Eis por que o imigrante transformou-se num ponto focal da política europeia.
Se ligo o barómetro, vejo que essa ideologia pressiona apenas uma pequena parcela dos europeus. Gente de extrema direita. Você pode perguntar: existe um racismo popular difundido na Europa? Infelizmente, sim. O racismo popular é uma mescla de coisas. Tem o racismo biológico, do tipo “sou melhor indivíduo que o outro”; o racismo de carácter cultural, difundindo que o diferente é impossível de ser assimilado; e o racismo por competição económica, “não quero que o outro venha porque vai tirar meu lugar”.
E os preconceitos? na imprensa espanhola lê-se que as brasileiras desembarcam em Madrid para viver como prostitutas. Os imigrantes do Leste Europeu são identificados com a máfia. Os africanos, com gente violenta.
Preconceitos sempre existiram. E existirão sempre. São como uma regra universal da história humana, segundo a qual um grupo social se valoriza às custas de rebaixar o outro.. Como combatê-los? A única forma é fazer com que as coisas funcionem, é melhorar a situação do emprego, da habitação, saúde, educação, integração cultural.Sugiro que leia a entrevista aqui