Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL
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quarta-feira, 11 de junho de 2008

OS RICOS PERDERAM O MEDO DOS POBRES


A alta dos preços dos alimentos veio para ficar. Conseqüentemente, estamos de novo diante da perspectiva de crises de fome aguda nos países mais pobres. Perspectiva semelhante, em 1975, deu lugar à Conferência Mundial da Alimentação, cujas propostas para evitar a repetição do fenômeno deram em nada
Desta vez, os países ricos não se viram na necessidade de montar outra farsa como a de 1975. Em três dias, os chefes de 43 Estados reuniram-se em Roma e despacharam o assunto.
Ao pedido de 30 bilhões de dólares para enfrentar o problema, feito pelo diretor geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), a resposta dos chefes de Estado foi assim: toma dez e não se fala mais no assunto.
O episódio é bem indicativo dos tempos que estamos vivendo: "os ricos perderam mesmo o medo dos pobres", escreveu Eric Hobsbawm, em 1989. .
Contudo, convém ponderar que o resultado da reunião de Roma, não altera essencialmente a problemática da fome no mundo.
Para resolvê-lo, definitivamente, não basta comprar excedentes da produção dos países ricos e enviar comboios com alimentos para as regiões de fome aguda. Na lógica do capitalismo, isto pode ser até um bom negócio para as multinacionais do "agrobusiness".
A fome resolve-se com reforma agrária; planeamento agrícola; preços controlados; educação e saúde para a população do campo.
A humanidade não se pode libertar do fantasma da fome dentro dos marcos duma economia neo-liberal. Confira aqui

terça-feira, 10 de junho de 2008

O EXÍLIO NA PRÓPRIA PÁTRIA

Se num exercício de masoquismo ou de suicídio colectivo, a sociedade portuguesa optar por entregar o ouro ao bandido, resta-nos o exílio: na própria pátria ou além-fronteiras.
Ante o autoritarismo duma clique empenhada em demolir, uma a uma, as expectativas geradas por Abril, é chegada a hora de lutar pela defesa dos direitos e das liberdades dos cidadãos.
Não apenas as camadas mais fragilizadas da população (reformados, trabalhadores precários e descartáveis, camponeses, pescadores e operários) têm sido despojadas de direitos adquiridos ao longo de uma vida de trabalho. Também os funcionários públicos, os professores, os juízes e os militares. Os pequenos e os médios empresários também não escapam a este tsunami avassalador, produzido por um grupo de figuras sinistras ( e mediaticamente construídas) que se instalou no Poder.
É preciso, é imperioso, é urgente (como diz o poeta) avisar toda a gente que um fogo destruidor, de matriz neo-liberal e fascizante,
ameaça um país que apresenta das maiores desigualdades sociais, da Europa. Aqui, o fosso, entre ricos e pobres, não pára de crescer!
Como escreve um nome grande do jornalismo português, Baptista Bastos, “Portugal tem sido governado por fieiras de incapazes e, pessoalmente, só desejava que eles respondessem, em tribunal, pelas consequências dos seus actos”.
Sim eles são responsáveis pela destruição da esperança que habitava em muitos cidadãos, eles destruíram, em muitos trabalhadores, o que foi edificado com muito suor.Eles converteram o país num Feudo e assumiram , com toda a naturalidade, o papel de senhores feudais.
Como é possível, em pleno século XXI, um bando de incompetentes e arrogantes permitir-se por de joelhos uma Nação?
Largas camadas sociais manifestam, no quotidiano, o seu descontentamento! O que falta, o que é preciso, para pôr esta gente na ordem?
Tenho uma enorme dificuldade em perceber o que se está a passar. Decisões unilaterais, arbitrárias, incompetentes e penalizadoras dos cidadãos, ocorrem todos os dias. Perdeu-se a capacidade de indignação e de reacção a desmandos destes? Desde quando, um punhado de indivíduos, seja quem for, se pode permitir agir contra um Povo que, distraidamente, lhes concedeu Poder para governar na estrita observância da legalidade democrática?
Sem pudor, desrespeita-se a memória dos combatentes da liberdade
que durante décadas desafiaram as forças repressivas do fascismo, sofreram na carne a violência da ditadura salazarista, foram torturados e assasinados! Sem eles, não teria havido, em 1974, o 25 de Abril. Os capitães de Abril merecem-nos todo o respeito mas é hora de abandonarmos análises simplistas e hipócritas.
A geração que hoje está no Poder, recebeu de bandeja a liberdade e o renascer da esperança de um Povo ajoelhado, durante quatro décadas. Os piores desta nova geração, instalaram-se, usurparam e descaracterizaram o Poder que outros mais coerentes, honestos e capazes, lhes confiaram
Recordo aqui, e agora, um comentário de um manifestante no Haiti, quando da crise alimentar:
“Se o governo não consegue baixar o custo de vida então tem simplesmente de sair de cena. Se a polícia e as tropas querem disparar sobre nós, está bem, porque ao fim e ao cabo, se não formos mortos pelas balas, vamos morrer de fome.”

quarta-feira, 21 de maio de 2008

ESCASSEZ DE ALIMENTOS


CLICK NA IMAGEM PARA ACEDER À SUA ORIGEM

domingo, 11 de maio de 2008

TRIBUNAL PERMANENTE DOS POVOS (TPP)


Mais de 20 empresas europeias serão processadas em Lima, de 13 a 14 de Maio, pelo Tribunal Permanente dos Povos (TPP), por violações aos direitos humanos .
O Tribunal Permanente dos Povos (TPP) foi constituído em 1979 na Itália, três anos após a adopção da Declaração Universal dos Direitos dos Povos (Argel, 4 de Julho 1976). As recentes sessões na América Latina revelaram uma situação de sistemáticas violações dos direitos humanos, crimes de lesa humanidade e graves delitos ambientais.
O Tribunal pretende não só mostrar os impactos das empresas europeias, mas, também, tornar visíveis o tipo de cumplicidade que garante esse regime de impunidade; isto é, os instrumentos (militares, políticos, jurídicos, financeiros) desenvolvidos e os actores que configuram esse palco (Governos da UE e América Latina, organismos internacionais como Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e Organização Mundial do Comércio, etc.).
A sessão do TPP denuncia a inexistência de efectivos mecanismos legais que permitam avançar para um modelo económico e político onde as multinacionais tenham a obrigação legal de responder por seus crimes. O TPP é um instrumento de justiça muito importante na busca da verdade, a justiça e a indemnização integral das vítimas. Confira aqui

domingo, 2 de março de 2008

O INICIO DA SEGUNDA ETAPA DA CRISE GLOBAL

O economista argentino, Jorge Benstein,autor, entre outros livros, de "Capitalismo senil, a grande crise da economia global".
escreveu recentemente:
"A recessão já se instalou no centro do Império; agora, o debate gira em torno da sua profundidade, duração e alcance mundial. A corte de admiradores de direita ou progressistas do capitalismo global, que ao longo dos últimos anos nos encheu com suas teimosias sobre a solidez do sistema, hoje está em pleno recuo táctico; seus defensores já não negam a crise, mas tentam diminuir seu carácter dramático e reduzir suas raízes e extensão. Alguns deles ensaiam explicações anedóticas, outros dizem tratar-se de uma "crise cíclica" que é o mesmo que dizer passageira— e a maior parte deles refugia-se na explicação simplista que reduz o fenómeno a uma grande perturbação financeira combinada com um surto pessimista dos consumidores norte-americanos, provocado pelos devedores inadimplementos dos Estados Unidos (aqueles que não pagam seus créditos imobiliários) e por aqueles que deram a eles empréstimos generosos demais.
Uma vez que a crise está circunscrita ao estouro da "bolha imobiliária" norte-americana e aos seus impactos colaterais nos Estados Unidos e no resto do mundo, a "solução" parece clara: estimular os consumidores e investidores, aumentar o gasto público e injectar liquidez no mercado.
O que eles estão fazendo agora é uma espécie de repetição, em condições infinitamente mais graves, do que já fizeram em 2001. Eles não têm nenhum roteiro diferente. Só que naquela época a dívida pública norte-americana chegava a 5,7 triliões de dólares e agora está muito próxima de 9,2 triliões e se somarmos a isso o resto do endividamento dos sectores públicos e privados chegaremos aos 50 triliões de dólares (equivalente ao Produto Bruto Mundial). E ainda é preciso acrescentar a acumulação de deficit fiscais e comerciais e um volume de gastos militares totais que em 2009 poderia chegar a representar 10% do PIB norte-americano.
Agora que a recessão chegou ao centro da economia mundial, suas autoridades entram em pânico, percebem que suas ações são ineficazes ou, inclusive, contraproducentes. As medidas anti-recessão, como os cortes fiscais que estão em curso, as drásticas quedas nas taxas de juro ou o aumento do gasto público, certamente trarão mais déficit e dívidas e, caso cheguem a ter algum sucesso, mesmo que seja medíocre, trarão um aumento da inflação.
Em síntese, as autoridades norte-americanas sabem que se tentarem reverter a recessão reanimando o mercado estarão dando fôlego à inflação e à queda do dólar, o que, cedo ou tarde, trará mais recessão; mas também sabem que se tentarem conter a inflação esfriando a economia, a recessão vai se aprofundar: um beco sem saída.
Mas acontece que — para desgraça dos neoliberais os neoliberais tinham razão: as interdependências económicas mundiais são tão densas que, como estamos comprovando todos os dias, não há maneira de "descolar" as sacudidas norte-americanas (bancárias, da bolsa, etc.) do funcionamento financeiro internacional. A "bolha imobiliária" norte-americana foi a vanguarda de uma variada série de outras bolhas parecidas em diversos lugares do planeta, países como Espanha, Inglaterra, Holanda, Austrália, Irlanda e Nova Zelândia fizeram parte activa desta festa. Na Espanha, a bolha já começou a murchar". Confira aqui
IMAGEM TIRADA DAQUI

sábado, 16 de fevereiro de 2008

A PROPÓSITO DO SISMO SOCIAL DE 5 DE FEVEREIRO


As élites, dispostas a manter o poder e os privilégios, refugiam-se numa espécie de arqueologia
politica escavada no léxico do neo-liberalismo e no velho conceito platónico de democracia excludente.
Nos Estados Unidos ou em Moçambique, é preciso, é urgente, é imperioso defender os direitos das populações trabalhadoras.
A imunodeficiência politico-cultural transmitida pelo vírus do neo-liberalismo, não tem cessado a sua propagação pelo corpo social de sociedades mergulhadas, há séculos, na mais abjecta exploração.
O alerta sobre a mudança de bandeiras, estandarte de revolucionários como Amilcar Cabral, foi abafado e adulterado pela ambição de uns poucos.
Em nome da modernização (leia-se do capitalismo) os novos Poderes e as classes que os rodeiam, ou lhe prestam vassalagem, apropriam-se da linguagem e do raciocínio da esquerda para recuperar quem a critica.
Como afirmei algures, a direita é conservadora, é retrógada. A direita é como os insectos: sai mais forte quanto mais fortes são as doses de DDT que lhes aplicam.
Os teóricos e os defensores do regimes anti-populares,
nem sequer ousam recusar as suas origens ideológicas. Quando se sentem encurralados, em nome de uma certa liberdade, de uma espécie de liberdade formal que permite institucionalizar a exploração dos homens por outros homens, por vezes utilizam os seus jornais e os seus jornalistas para emboscar os leitores com ideias e palavras capturadas à esquerda.
A vitimização, o fim das ideologias e os contorcionismos epistemológicos são a terapêutica de choque utilizada por grupos blindados ante os sismos sociais, para usar uma excelente síntese vocabular produzida por Carlos Serra, autor do Diário de um Sociólogo, quando dos acontecimentos de 5 de Fevereiro no Maputo