Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

domingo, 5 de abril de 2009

ABRIL, UMA ESPÉCIE DE EJACULAÇÃO PRECOCE

Ontem, 4 de Abril, assistimos, em Lisboa, a um espectáculo comemorativo do 35º. aniversário da Revolução dos Cravos, onde músicos e cantores revelados nos últimos 35 anos interpretaram canções de Abril. Com este programa, segundo os organizadores, pretendeu-se, através das novas gerações a quem a Revolução dos Cravos abriu a possibilidade de cantar em liberdade, sobretudo daquelas que nasceram artisticamente depois do 25 de Abril, homenagear os músicos, poetas e intérpretes/autores que de alguma maneira contribuíram para que Portugal, hoje, seja um País livre(?).
Foi interessante o espectáculo, pelas interpretações, pelo público e pelo revisitar da esperança. A quase frieza com que se recebeu Paco Ibañez, o poeta/cantor que faz da canção uma arma carregada de futuro, surpreendeu alguns de nós!  Barómetro cultural, curioso!

Regressando a Abril de 1974
Um golpe de Estado assume, não raras vezes, a forma de ejaculação histórica precoce. Será esta a etiqueta que colamos ao golpe de 25 de Abril, em Portugal?
A julgar pelas enormes expectativas geradas,, as frustrações e o desencanto instalado, o retrato de Abril é nebuloso e mal retocado.
Nacionalizou-se o Poder e reafirmou-se o Capital como o seu Conselho de Administração. O multipartidarismo foi construído à imagem do Bloco Central e reservou-se para os outros partidos, e cidadãos, a subalternidade que lhes permite assistir, com maior ou menor subserviência, a um simulacro da democracia e da liberdade.
De tempos a tempos, os cidadãos são convidados a pactuar com manobras de diversão, vulgarmente conhecidas como actos eleitorais! Distribuem-se prendas, fazem-se promessas a filhos e enteados e evoca-se a importância das maiorias absolutas, num puro exercício de apologética das “ditaduras” a coberto de ideologias ao serviço do grande capital, auto-designadas democracias modernas e democracias do século XXI.
As tribos dominantes, detentoras do Aparelho Repressivo e do poder de Estado, ao assegurarem a reprodução da obediência às regras da ordem estabelecida, garantem a apropriação e o exercício do poder e especializam-se em driblar indefinidamente a história 
A reprodução, no Estado capitalista, de dinastias de homens políticos, dinastias de “empreendedores”, dinastias de ministeriáveis , etc, só pode ser exercida em territórios de intolerância , em espaços de neofascismo mais ou menos suave
Nós, afirmamos que não pode haver democracia autêntica sem progresso social. e sem uma ampla participação de todos
Recordamos Bertolt Brecht:
De que serve estar contra o fascismo – que se condena – se nada se diz contra o capitalismo que o origina?” 

2 comentários:

mariam disse...

Agry,

uma forma muito original de 'falar' do tema!! :)

não assisti ao concerto, mas gostaria!
e espanta-me o que diz "A quase frieza com que se recebeu Paco Ibañez, " :(
era miúda aquando da revolução dos cravos...e pouco percebo de análise política, mas só posso achar que ... memória curta, será??!!!

um grande abraço
e o meu sorriso :)
mariam

Felix da Esperança disse...

Olha, seub navegador estive aqui a percorrer os teu escritto e simplesmente gostei forca aí mas como navegador solitario? à maneira de Da Gama o que?