Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O GRANDE CIRCO DE LONDRES: MUDAR ALGO PARA QUE NADA MUDE

Como era de se esperar, pouco ou nada de concreto saiu da reunião, em Londres, apesar dos esforços dos contorcionistas do sistema
Ficou estabelecido que o objectivo das reformas não seria outro senão o de voltar à situação anterior à da crise. Isso supõe que o que a causou não foram as contradições inerentes ao sistema capitalista, mas aquela "exuberante irracionalidade dos mercados" perdendo-se de vista que o capitalismo é por natureza exuberantemente irracional e que isso não se deve a um defeito psicológico dos agentes económicos, mas sim de que tem seus fundamentos na própria essência do modo de produção.
Não surpreende comprovar que o G-20 tenha decidido fortalecer o papel do FMI para liderar os esforços da recuperação, sendo o principal autor intelectual da crise actual. O FMI foi, e continua sendo, o principal veículo ideológico e político para a imposição do neoliberalismo à escala planetária. É uma tecnocracia perversa e imoral que recebe honorários exorbitantes (isentos de impostos!) e cuja pobreza intelectual foi muito bem resumida por Joseph Stiglitz, quando disse que o FMI estava lotado de "economistas de terceira formados em universidades de primeira".
O tema é grave demais para deixá-lo nas mãos do G-20 e seus especialistas. Por isso o presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D’Escoto, disse que o necessário não era um G-20, mas um G-192, uma cúpula de todos os países, tendo-a convocado para Junho deste ano.
NOTA:Síntese dum trabalho publicado
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