Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

domingo, 25 de novembro de 2007

EM CONVERSA COM A AUTORA DO BLOGUE O MEU SER ORIGINAL



A autora do Blog O Meu Ser Original, Ivone Soares,28 anos, integra a nova geração de políticos moçambicanos. Apresentadora de rádio, dirigente na área do desenvolvimento estudantil, ainda lhe sobra tempo para manter mais dois blogues, Rabiscos da Soares e Politicando. No seio da comunidade bloguistica, afirma sentir-se como um pássaro que retorna ao ninho.
É uma jovem extremamente afável e, à distância dum clik, percebe-se estarmos na presença de alguém que nos inspira toda a confiança.
Nestas circunstâncias, é fácil perceber que me sinto um privilegiado ao entrevistar uma mulher tão multifacetada e atraente
Agry White (Navegador solidário)

1 . Como interpreta a disseminação e o interesse crescentes pelo fenómeno blogue?
IS. Sinto haver uma sede de informação, de pontos de vistas diferentes e de exteriorizar pensamentos...e as palavras por vezes são difíceis de se pronunciar em linguagem oral, leva-as o tempo como sabe, mas quando se escreve eternizamos nossa forma de pensar e sentir o mundo.

2. Quando navega na blogosfera fá-lo à vista ou prefere rumar para um destino já conhecido?
IS. Gosto de viajar na blogosfera, de ver novas formas de colocar idéias, mas por mais que viaje sou como um pássaro que retorna ao ninho. Há blogues que visito por imperativo a que me impus e é um momento de total relaxamento ler a forma como os vários bloguistas e principalmente os meus preferidos jogam as palavras.

3. Quais as motivações que o conduziram à criação de um blog?
IS. Ao criar o MEU SER ORIGINAL a idéia que me ocorreu foi a de ter um cantinho onde desse voz aos meus pensamentos e, principalmente, onde pudesse divulgar as actividades que levo a cabo quer faça sol ou venha a lua escaldar-me... Devo confessar que ao criar o primeiro blogue fi-lo pelas motivações acima ditas, mas não dava o endereço nem aos amigos. Partilhava-o de mim para mim. Curiosamente fui achada. E outra confissão que devo fazer é que o número de visitantes do meu blogue subiu incrivelmente após o post do nosso amado sociólogo, Carlos Serra, em que dizia ser eu um caso inédito, uma jovem mostrar-se de frente com fotos e tudo a fazer webpolítica e sendo co-autora de outro blog que fala dos Direitos Humanos e coisas do Dia-a-Dia dos moçambicanos. O meu quarto blog criei-o em função de um conselho que Carlos Serra me deu: não deixar morrer os meus poemas, arranjar-lhes um espaço, assim surgiram os RABISCOS DA SOARES. Com o POLITICANDO, meu outro blogue, eu esperava colocar nele as dissertações dos Deputados da Bancada que representa o meu Partido na Assembleia da República, BRUE (Bancada da RENAMO_UE), mas como este é pouco lido, tenho postado essas dissertações no MEU SER ORIGINAL também.

4 . Qual a sua opinião sobre a blogosfera?
R: Penso ser um espaço em que se fazem amizades, mas também podemos nela arranjar sarna pra coçar. Há que saber lidar com os anónimos que por vezes podem ser impertinentes. É um mundo fascinante e que me viciou por completo.

5. Os blogues poderão substituir a imprensa online?
IS. Tenho certas dúvidas em afirmar categoricamente que poderão substituir a imprensa online, mas devo admitir que são uma ferramenta forte e quando bem usados podem fazer cair governos corruptos como o de Moçambique. Porém, ainda é difícil separar a verdade das meras opiniões dos bloguistas no tocante às notícias lá expostas.

6. Em que medida os blogues intervêm na sua vida pessoal e profissional?
IS. Com esta nova arma que é blogar, admito que quer a minha vida pessoal como a profissional acabam ficando preenchidas, pois sei que há um sem número de pessoas que visitam, postam comentários, enviam emails porque sentiram-se de certo modo tocadas com o que exteriorizei. Lendo os meus blogues é fácil saber qual o meu estado de espírito, ou o que penso sobre dado assunto. As minhas convicções políticas estão claras e posso fazer um sem fim de coisas para chamar a atenção dos cibernautas sobre o que se passa, quer comigo, como no meu meio laboral.
7. O que é para si, um bom blog?
IS. Hum...é difícil dizer este é um bom blogue...bom comparado ao meu? Seria mais fácil. Há pessoas com uma criatividade impressionante. Estão sempre inovando...posso chamar a esses blogues de bons. Também há pessoas com blogues desorganizados mas com óptimo conteúdo...posso chamá-los bons? Em parte para mim um bom blogue é aquele que não cansa ao cibernauta, que resume o essencial, traz verdades e não acusações infundadas a este ou aquele. O espaço dos comentários que os blogues têm são uma mais valia para a recepção do feedback de quem nos lê.

8. A sua participação na blogosfera tem sido gratificante?
IS. Para mim, absolutamente gratificante. Eu recrimino-me sempre por ter entrado nela “tarde”. Dá-me enorme satisfação usar deste espaço para me exteriorizar.

3 comentários:

Miranda disse...

Colega, linda e inteligente. Gostei das respostas.Bjs Miranda

Roberto disse...

Bem dito. Agry as perguntas foram bem colocadas e as resposta desta belezura de mulher foram fantásticas. Ambos de parabéns.
Roberto

AGRY disse...

Obrigado Roberto.Vai-me desculpar mas nenhum de nós se conseguiu recordar de si! Pode ajudar-nos?