Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

domingo, 27 de abril de 2008

DEUS NÃO É AFRICANO


A África ocupou mais da metade do tempo, da última reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, nesta terceira semana do mês de abril de 2008. Na pauta: o impasse nas eleições presidenciais do Zimbábue e as crises políticas da República Democrática do Congo e do Quênia, além dos conflitos armados, na Somália, e em Darfur, no Sudão. Tudo isso trouxe de volta a imagem de um continente aparentemente inviável, com “estados falidos”, “guerras civis” e “genocídios tribais”, com apenas 1% do PIB mundial, 2% das transacções comerciais globais e menos de 2% do investimento directo estrangeiro dos últimos anos.
Mas a África não é tão simples nem homogénea, com seus quase 800 milhões de habitantes e seus 53 estados nacionais, que foram criados pelas potências coloniais europeias e foram mantidos juntos graças à Guerra Fria.
A África é o hoje, o grande espaço de “acumulação primitiva” asiática, e uma das principais fronteiras de expansão económica e política, da China e da Índia.
Chineses e indianos fazem seu "desembarque económico", em busca de matérias-primas e oportunidades para investir. Mas EUA e União Europeia não abrem mão de suas posições económicas e militares
Neste início do século 21, tudo indica que a África será, pela terceira vez, o espaço privilegiado da competição imperialista que mal começou. A menos que exista um outro Deus, que seja africano.Confira aqui

1 comentário:

Pedro Ayres disse...

Caro Agry
O meu blog é para o uso de todos os que encontrarem algo de importante e de seu interesse. Use e abuse.
Você tem razão, perder a memória é o mesmo que esar no Labirinto sem a linha de Ariadne. Lá nos idos de 1974, ao escrever no "Crítica" sobre as lutas em Angola, lembro que para poder expressar o que desejava, tomei emprestado um verso de Camões - tanta guerra, tanto engano. Nesse artigo comentava a frase do almirante Rosa Coutinho de que a desgraça de Angola é que era a própria cornucópia do mundo.
E ainda é assim para a África toda.