Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

sábado, 2 de agosto de 2008

A PROPÓSITO DA SEMANA MUNDIAL DO ALEITAMENTO MATERNO


Entre 1 e 7 de Agosto comemora-se, em mais de 120 países, a Semana Mundial do Aleitamento Materno 2008. Trata-se de um evento - festejado desde 1992 por iniciativa da World Alliance for Breastfeeding Action - com o objectivo de difundir o aleitamento materno como veículo de saúde e bem-estar. Mais de um milhão de crianças podem ser salvas no mundo se amamentadas na primeira hora após o nascimento - Aliança Mundial para Acção em Aleitamento Materno (Waba),
A pretexto deste evento, o Noticias do Maputo, refere na sua edição de hoje, que “a subnutrição em crianças menores de cinco anos de idade é grave no país, apesar dos esforços desenvolvidos na aplicação de boas práticas de alimentação infantil. Nos últimos 10 anos a situação conheceu um agravamento de pouco mais de cinco por cento, com incidência para a desnutrição aguda associada aos elevados índices de HIV/SIDA.
As crianças podem adquirir a infecção por HIV de suas mães durante a gravidez, trabalho de parto e no próprio parto ou na amamentação
O jornal cita, a propósito, uma fonte governamental:
“O Governo tem como uma das prioridades promover o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses e a introdução gradual de alimentos adequados e localmente disponíveis, com a continuação do aleitamento materno até aos 24 meses”.
Recentemente, sobre esta matéria, uma blogger moçambicana publicou um trabalho interessante. Leia aqui

5 comentários:

(Paulo Granjo) disse...

Regressado hoje a Maputo, fiquei também surpreendido por uma faixa atravessando uma avenida e anunciando essa campanha semanal.

Confesso que a prioridade estatal anunciada no Notícias me surpreende pois, tirando excepções como a referida pela bloguista que cita (e que talvez devesse, antes da lição que deu à jovem mãe, ter perguntado se o bébé tinha diarreia), muito pouca gente em Moçambique utiliza outro tipo de amamentação, quanto mais não seja porque não a poderia pagar.
Será que a campanha se dirige às camadas mais abastadas, ou é só uma daquelas coisas que se fazem porque há dinheiro para isso e se pode dizer que se fez?

No entanto, a questão não tem apenas a ver redundância.
Sabe-se há mais de 10 anos que a placenta é um poderoso filtro para o HIV.
Sem o contacto com sangue e fluidos vaginais da mãe durante o parto (ou seja, fazendo cesariana)e sem aleitamento materno, a probabilidade de o bébé de uma mulher seropositiva ficar infectado varia entre 12 e 14%, conforme os estudos.
Com parto natural e aleitamento materno, essa probabilidade sobe para o dobro.

Portanto, no que diz respeito ao SIDA, não só não se estão a tomar medidas para diminuir a transmissão mãe/filho, como campanhas como esta a estimulam.

AGRY disse...

De facto, peguei na noticia, sem muita convicção mas o salário que me pagam para manter este blog obriga-me a estas concessões rsrsrrs
No que respeita às campanhas estimuladoras da SIDA, não poderia estar mais de acordo consigo. Se reparar, o texto do NOTICIAS sugere um conjunto desordenado de colagens de diversos autores!
A questão central da notícia é, supostamente, a SIDA. Depois, é o/a vice ministro da agricultura a proceder à abertura solene da Semana do Aleitamento e a “fazer” de técnico de saúde!
(Não basta ser mulher de César é preciso parecê-lo. O contrário também é verdade)
Ao ler a noticia também fui assaltado por esta incoerência. Não seria mais adequado delegar essa tarefa em alguém ligado à Saúde? Não há, em Moçambique, pessoas tecnicamente melhor apetrechadas para fazer essa abordagem?
Regressando à noticia e ao Noticias. Como é verificável, metade da noticia dedica-se à SIDA.
O restante gira em torno da intervenção de Catarina Pajume, vice-ministra da agricultura.
Reconheço ,sem esforço, a justeza do seu comentário no que respeita à propagação da Sida
pelo contacto com sangue e fluidos vaginais da mãe bem como o carácter desinformativo destas campanhas.
Finalmente,reafirmar a acuidade do seu comentário justamente porque desmistifica e põe a nu aspectos da maior relevância nos cuidados a observar no combate SIDA neles incluíndo a amamentação.
Quem o ler ficará, seguramente, melhor esclarecido

ximbitane disse...

Paulo Granjo, creio que nao era sequer pertinente perguntar se a criança tinha ou nao diarreia pois nem idade para comer um alimento solido tinha! Alias, a mal nutriçao é que tinha sido o mote para a "terapia do yogurt".

Quanto ao aspecto que refere, sobre pouca gente enveredar pela amamentaçao exclusiva, receio discordar consigo. Esta certo que poucas pessoas dispoem de meios para comprar leite em po, mas muito cedo alimentam as crianças com alimentos solidos (papas enriquecidas e de um salto, xima).

ximbitane disse...

Agry, essa noticia do Noticias, é mais um flagrante do que nas entrelinhas narro no artigo sobre o mito da amamentaçao: o Governo esta se marimbando para o povo!

(Paulo Granjo) disse...

Ximbitane:

O comentário "en passant" ao episódio que relata devia-se ao facto de ele me ter lembrado uma outra situação:

Como saberá, a avaliar pelo vasto conhecimento da realidade local que demonstra nos seus blogs, existe um estado físico em bébés e crianças muito pequenas que é concebido popularmente como uma doença, a que se dá o nome de "Xilala" (ou "fontanela", quando é referida em português), e em que parte dos sintomas são semelhantes a subnutrição.

O tratamento é feito por médicos tradicionais, sendo relativamente frequente que provoque diarreia durante algum tempo.
Quando se levam as crianças, nessa fase, aos serviços de saúde é também frequente que estes "ataquem" a diarreia, embora na conversa surja a subnutrição, porque a criança está magra e de barriga inchada. É, nesse "ataque", também frequente que aconselhem iogurte, sem entrarem em explicações acerca da flora intestinal - ficando mãe com a ideia que lho deve dar, mas sem perceber muito bem porquê e para que efeito.

Ao ler o seu relato, passou-me pela cabeça se não se teria cruzado com um caso destes.
Mas, se conseguiu ficar com a certeza de que não era disso que se tratava, já cá não está quem falou.