Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

sábado, 16 de janeiro de 2010

SEM MEMÓRIA NÃO HÁ FUTURO


É este o actual estado de degradação em que se encontra a Vila Algarve, edifício sede da PIDE no Maputo! Por aqui passaram milhares de moçambicanos que o único crime que cometeram foi o ter nascido negros! Uma parte significativa dos detidos não tinha quaisquer ligações à FRELIMO! Era a detenção arbitrária, e aos magotes, com o fito de provocar o pânico e matar o jacaré na margem. Depois surgiam os interrogatórios e a tortura. Quando se apercebiam, eventualmente, dos “lapsos cometidos” receavam, por razões óbvias, devolver os cidadãos à liberdade. As cadeias da PIDE possibilitaram, assim, o despertar da consciência nacionalista e politica de milhares de cidadãos moçambicanos.
Paradoxalmente, a tortura e a morte de cidadãos moçambicanos, nas cadeias daquela policia sinistra, não comoveu, ao que julgo saber, as autoridades moçambicanas. A reunião-julgamento com os ex-presos políticos é um testemunho tristemente célebre!
O abandono da Vila Algarve, confirma, infelizmente, a indiferença e a recusa em preservar a memória da resistência anti-colonial. Será que na perspectiva do Poder, os combatentes da liberdade reduzem-se aos que pegaram em armas, incorrendo-se assim num grosseiro e indesculpável erro histórico?
Na capital do “ Império”, no local da sede da PIDE, em Lisboa, construiu-se um condomínio de luxo! Um grupo de cidadãos reage e surge, em 2005, O Movimento Cívico “
Não Apaguem a Memória!”, como resposta à exigência da salvaguarda, investigação e divulgação da memória da resistência antifascista .

3 comentários:

Pedro Ayres disse...

Caro Agry
Fiquei chocado com a foto e com os acontecidos em Moçambique, terra que conheci clandestinamente lá pelos idos de 1973. É terrível perder a memória e com isso a perspectiva histórica. Esse processo de "apagamento" é um dos subprodutos do neocolonialismo imperialista cultural.Como as ideologias não existem mais, por que recordar tristezas e dores? É a chave para se entender tal prática, pois, um país sem memória histórica jamais sistematizará a sua luta como uma válida experiência popular, algo negado quando tentam eliminar qualquer conteúdo político ao movimento de libertação nacional da FRELIMO e de seus líderes como Samora Machel. O neocolonialismo também fez o seu aggiornamento cultural e hoje prega a "revisão histórica" como forma de pacificar e unir que querem manter desunido e em luta. É o que vejo aqui do outro lado do mundo.

Avid disse...

Como esse tantos outros edificios parecem sumir de nossa memoria. Cafes colonias que viram bancos, edificios seculares que acabam em grandes edificios...enfim...Como falar de desenvolvimento sustentavel onde nem as memorias sao guardadas para os que estao por vir?
Bjs meus

jpt disse...

o edificio foi atribuido. em tempos ouvi dizer que também atribuído foi um financiamento para a sua recuperação. Náo é, portanto, um caso de abandono e esquecimento. Será mais o fluir do real ...