Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A DEMOCRACIA COMO REGIME E O CAPITALISMO COMO SISTEMA ESTÃO EM CRISE



As sociedades desenvolvidas podem conduzir à servidão e à barbárie. A ideia não é nova. Alexis de Tocqueville refere-se-lhe no clássico “De la Démocratie en Amérique”, O capitalismo costuma resolver os seus problemas, renascendo das cinzas aparentes com que apressados preopinantes o pretendem cobrir. A democracia, essa, é mais difícil de corrigir os erros que comete. Também estão em Tocqueville estas indicações, cada vez mais premonitórias. A época que vivemos sublinha-as.
O neoliberalismo já deu o que tinha a dar. Mas persiste, graças à sustentação leviana que se lhe presta O cortejo de misérias que atrás de si deixa é assustador. E não está feito o estudo comparativo do totalitarismo e da modernização. Pierre Bourdieu tentou, e deixou-nos textos admiráveis sobre as «evoluções involutivas» do universo orwelliano em que, alegremente, mergulhámos.
Em Portugal, por exemplo, assiste-se ao afastamento dos intelectuais das relações com a política. Uma Imprensa acrítica e, até, subserviente ao império dos grandes interesses; uma Televisão imbecilizadora; uma Rádio propagandista de valores culturais que agridem os nossos; uma empresariado analfabeto, preguiçoso e ganancioso; políticos sem dimensão, mentirosos, evasivos – teria, obrigatoriamente, de dar nisto. O mundo que acabou não foi substituído por um mundo melhor. Pelo contrário. Articulistas arfantes, muito preocupados com a falta de liberdade em outros países, praticam um jornalismo de reverência, inverso do jornalismo de revelação e de combate, absolutamente urgente e necessário, até porque faz parte da sua específica natureza.Confira aqui

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