Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

sábado, 31 de maio de 2008

EMOÇÃO MARCA REGRESSO DE VÍTIMAS DE XENOFOBIA


É com este título que o jornal NOTICIAS do Maputo, noticia que “oitocentos e oitenta moçambicanos desembarcaram ontem na estação central dos Caminhos de Ferro de Moçambique carregados de muita emoção e satisfação depois de terem vividos momentos de tensão e desespero devidos aos actos xenófobos na África do Sul. O comboio, que chegou pouco depois das 17.00 horas, tinha duas carruagens lotadas dos haveres do grupo de cidadãos, que confessaram que não esperavam aquela atitude da parte dos sul-africanos”. Leia aqui
Nem a sociedade sul-africana nem o resto do mundo, acrescento eu.

Entretanto, e de acordo com o Jornal Notícias, "o Governo da África do Sul admitiu esta sexta-feira a urgência de acelerar os programas de luta contra a pobreza, que considera um dos factores, eventualmente até o principal, na origem dos "inaceitáveis e vergonhosos" ataques xenófobos das últimas semanas, segundo um comunicado do Executivo.
Considerando que os ataques contra imigrantes resultam "de um complexo conjunto de factores", o Governo sul-africano lamenta que "preocupações reais", designadamente quanto ao acesso à água potável e ao emprego, sejam "exploradas para manipular comunidades e levá-las a atacar os nossos pais, irmãos, irmãs e crianças da África do Sul, do continente africano e de algumas partes do Mundo".

Enfim, ainda não chegou a hora do governo sul-africano reconhecer, sem rodeios, a sua responsabilidade em todo este processo. Com pensamentos redondos e com uma enorme incapacidade de autocrítica (como primeiro passo) o regime sul-africano, ao que tudo indica, persiste em enterrar a cabeça na areia.

1 comentário:

Pedro Ayres disse...

Caro Agry
Espero que tuas férias tenham sido ótimas para o lazer e o ócio. Por aqui está tudo na mesma, com um governo indeciso entre realmente acompanhar Correa, Morales e Chávez ou ficar atrelado ao FED. Ainda bem que domingo o Equador dará um salto nesse quadro de dominação.
Agry, aconselho-te a ler as três constituições (venezuelana,boliviana e equatoriana), verás, como eu vi, que o mundo "civilizado" regrediu em termos de Direito Constitucional. São três obras essenciais para todos pos que desejam um mundo melhor.
Agora sim, o Novo Mundo faz juz ao nome.
E sobre a xenofobia, ela tem a mesma natureza do racismo e do colonialismo. Na década de 1970 estive em Capetown por um dia, como violei sem saber as regras do aparteid, fui expulso imediatamente. Mas deu para sentir a brutalidade do racismo e suas sequelas culturais.
O Agostinho Neto dizia que para a gente se libertar do colonialismo, há que matá-lo duas vezes, uma dentro da gente. É assim que entendo o que se passa em South Africa.