Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

quinta-feira, 10 de julho de 2008

FALTA DEMOCRACIA

D. Manuel Martins foi bispo de Setúbal. Passados mais de trinta anos do seu confronto com a dura realidade daquela gente, sofre ainda mais com a paralisia e o silêncio da sua igreja.
"Hoje a nossa Igreja é um arquipélago...A Igreja perdeu a capacidade de sujar as mãos com a vida dos homens. A Igreja deveria manifestar-se mais. Por vezes acredita mais no Belmiro de Azevedo e outros, anda pendurada em dependências...
Gostava de uma Igreja que não condenasse, que dialogasse, que derrubasse muros, que comungasse os problemas do mundo, que ouvisse os clamores das pessoas e lhes soubesse responder .
A Igreja tem de sair para a rua, para o povo notar que está ao serviço do Homem. Toda esta descoberta da dignidade funda-se na democracia que passa pela vivência e pelo testemunho de uma descoberta de valores. E estamos muito longe de qualquer coisa a que se possa chamar de democracia.
As pessoas da Igreja já perderam capacidade de protesto.Por exemplo: perante a lei de trabalho que querem colocar em vigor, não percebo como é que a Igreja se cala, diante de uma agressão tão grande aos direitos da pessoa humana (excertos da reportagem de C. Martins e M. Robalo e foto de Tiago Miranda-Única- Expresso)

6 comentários:

Pedro Ayres disse...

Agry
Por mais que entenda e seja solidário com o bispo de Setúbal, não consigo deixar de pensar num fato concreto e histórico, a Igreja é parte da construção ideológica que redundou no neoliberalismo.Assim, o mais que se pode fazer é lutar para que seja neste mundo, nesta terra e para nós, seres humanos, a concreção daquilo que outros chamaram de Paraíso ou Utopia. Não temos tempo a perder e ao bispo há o implícito convite para a participação como Homem e Religioso.

AGRY disse...

Pedro
Não me deixei, nem deixo, embalar pela doutrinação religiosa.
Pretendi, tão-somente, salientar que mesmo no quadro de instituições conservadoras e cúmplices como a Igreja Católica, surgem, de quando em vez, vozes lúcidas em contraste com a hipocrisia, a demagogia e o populismo de sectores supostamente de esquerda como é o caso do PS em Portugal ( e não só)
Dito de uma forma mais grosseira, e me desculpa a expressão: No esterco, também nascem flores.
Mas isto poder-nos-ia levar bem longe. Não será necessário, certamente, recordar-te que é sempre útil definirmos quem é o inimigo principal, em determinado momento.
Abraço

Pedro Ayres disse...

Agry

Caro amigo, longe de mim pensar o que o meu comentário parece dizer. Na realidade, a meu modo, estava a escrever para o Bispo, já que não posso mais a ele reclamar.

AGRY disse...

Obrigado pelo esclarecimento. Espero que o bispo te leia e que visite o blog, como eu faço

Anja Rakas disse...

A igreja...
Grandes controvérsias e diálogos advém dessa Instituição.
Inicialmente se delineou um plano quase perfeito para Igreja: ensinar os homens a viver em sociedade aplicando os princípios básicos: respeito, lealdade, verdade, coragem...dentre outros já bem sabidos.
Mas, devo opinar que não é o que acontece, eu deveria sentir-me segura dentro das paredes de uma igreja, mas no fundo sinto-me constantemente avaliada pelos ditos "crentes".
Como podes ensinar alguém a ter fé?
Como pode a religião "matar" em nome de um ser superior?
Se os escritos antigos abominam homens que se auto-proclamam senhores das vidas alheias?

Ao longo dos tempos tem surgido uma montanha de filmes contra e a favor da Igreja e lembro-me de um em particular:Stigmata - "Jesus said... the Kingdom of God is inside you, and all around you, not in mansions of wood and stone. Split a piece of wood... and I am there, lift a stone... and you will find me."
Essa frase ficou-me na mente como que gravada a ferro e fogo e digo-te desde já que minha fé (não sei se posso dizer em Deus) está mais forte ainda. Tenho fé sim, na natureza, em mim, em algo superior a mim, no próprio cosmos.

Ops...escrevi demais.

Bjs..serenamente angelicais

AGRY disse...

A Igreja, os seus fantasmas, a incongruência que a envolve e os salpicos de coerência que vão surgindo aqui e ali.
Sou visceralmente anti-religioso mas isto não me tem impedido de saudar vozes como a deste Bispo, de Frei Betto e Leonardo Boff, e de Anselmo Borges ,entre outros.
São padres que procuram articular o discurso indignado frente à miséria e à marginalização com a religião. Advertem a Igreja que não pode pregar os direitos humanos fora dela, quando os não pratica no seu seio.
No que respeita ao uso de preservativos, por exemplo, o sector mais reaccionário da Igreja (Católica) condena o seu uso ainda que conhecedores das graves implicações em matéria de sofrimento humano. Os outros, os humanistas, os mais esclarecidos, de quando em vez são expulsos. Foi o que aconteceu, por exemplo, ao jesuíta Juam Masiá, em Espanha
Bjs carinhosos