Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O IMPÉRIO DO CONSUMO


O direito ao desperdício, privilégio de poucos, afirma ser a liberdade de todos.
Esta civilização não deixa as flores dormirem, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores estão expostas à luz contínua, para fazer com que cresçam mais rapidamente.
Nas fábricas de ovos, a noite também está proibida para as galinhas. E as pessoas estão condenadas à insónia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar.
Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora do que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O consumidor exemplar desce do carro só para trabalhar e para assistir televisão. Sentado na frente do écrãn, passa quatro horas por dia devorando comida plástica.
A cultura do consumo, cultura do efémero, condena tudo à descartabilidade midiática. Tudo muda no ritmo vertiginoso da moda, colocada ao serviço da necessidade de vender.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável:
Estamos todos obrigados a acreditar na historinha de que Deus vendeu o planeta para umas poucas empresas porque, estando de mau humor, decidiu privatizar o universo?
A injustiça social não é um erro por corrigir, nem um defeito por superar: é uma necessidade essencial. Não existe natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.Confira aqui

1 comentário:

Anja Rakas disse...

"Esta civilização não deixa as flores dormirem..."
Mais que verdadeira esta frase é a tristeza por detrás dela.
Nada segue seu curso natural, tudo hoje em dia é manipulado pelo HOMEM, sim, nós.
Entristece-me o desperdício que nos auto-infligimos, a necessidade de ter mais, e mais...
Além de consumistas somos egocentricos dentro do nosso egoismo.
O ser humano tem uma infinidade de escolhas POSITIVAS, mas culpam o diabo pelas suas falhas.
Confesso-me consumista intrinsecamente reclicada.

Bjs