Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

REVOLTA EM MAPUTO, REEDIÇÃO DOS ACONTECIMENTOS DE FEVEREIRO DE 2008

POVO NO PODER

BATATA AGRIDOCE

A população do Maputo saiu à rua para protestar o aumento brutal de bens essenciais: pão, arroz e electricidade, aumentando dramaticamente os problemas de fome e satisfação das necessidades elementares da população.
O pão subiu de 7 para 10 meticais, sendo que um salário baixo, em Moçambique, não ultrapassa 2500 meticais (50,00€) por mês. O aumento dos combustíveis foi o terceiro consecutivo.Houve também aumentos das tarifas da água e da electricidade

O Partido no Poder, a FRELIMO, remeteu para a gaveta da história os princípios e valores caracterizadores dos ideais construídos na luta de libertação e nos primeiros anos pós- independência.

Após o acordo de paz, e a pretexto da sua defesa , capitulou ante as politicas neoliberais impostas por organismos e forças internacionais, perdendo de vista a máxima que, sem justiça social, não há democracia.

Sobre os escombros da utopia independentista, emerge uma burguesia nacional, preocupada em encher as algibeiras o mais rapidamente possível. Esquemas é a palavra mágica que permitiu institucionalizar uma economia subterrânea, sem regras , sem princípios e com a cumplicidade do Poder.

As desigualdades sociais, o fosso entre ricos e pobres cresceu exponencialmente.

Na ausência de sindicatos independentes do Poder, e de uma oposição com experiência e credibilidade, estes protestos são, a um só tempo, manifestações de indignação colectiva, de frustração e de crítica à cumplicidade do país político.

Para obter informações, em detalhe, dos acontecimentos no Maputo, sugiro a consulta do Diário de um Sociólogo , Antropocoiso e Reflectindo sobre Moçambique

IMAGEM DAQUI

1 comentário:

clementino disse...

A saída do povo à rua foi feita de forma desorganizada, boçal, criminosa, oportunista e imbuída de um vandalismo que não faz parte da forma de ser do moçambicano. Por muita razão que o povo tenha - e até concordo que o custo de vida subiu muito e acho que se deve confrontar o Governo por isso - nada justifica a destruição de carros privados, transportes públicos, lojas e arremesso de pedras para qualquer um. Razão, sim; violência, NÃO!