Nós, da CONCP, queremos que nos nossos países martirizados durante séculos, humilhados, insultados, nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, não só pelos imperialistas, não só pelos europeus, não só pelas pessoas de pele branca, porque não confundimos a exploração ou os factores de exploração com a cor da pele dos homens; não queremos mais a exploração no nosso país, mesmo feita por negros. Lutamos para construir, nos nossos países, em Angola, em Moçambique, na Guiné, nas Ilhas de Cabo Verde, em S. Tomé, uma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitará todos os homens, onde a disciplina não será imposta, onde não faltará o trabalho a ninguém, onde os salários serão justos, onde cada um terá o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. É para isso que lutamos. Se não o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, não atingiremos o objectivo da nossa luta”. AMILCAR CABRAL

Terça-feira, 29 de Junho de 2010

SER CURANDEIRO EM MOÇAMBIQUE: UMA VOCAÇÃO IMPOSTA?

buala

Em Moçambique, como em vários outros países de diferentes continentes, os “médicos tradicionais” ou “curandeiros” assumem um papel central quer na prestação de cuidados de saúde, quer na regulação da incerteza e dos problemas sociais dos seus utentes.1
Esses terapeutas são normalmente chamados tinyanga (sing. nyanga) no sul do país e, de acordo com as teorias locais, devem os seus poderes curativos, divinatórios e de eficácia ritual ao facto de serem possuídos por espíritos de defuntos, que com eles formam uma simbiose profissional e ontológica (Honwana 2002)…Pode continuar a ler aqui

DE PAULO GRANJO, AUTOR DO BLOGUE ANTROPOCOISO .

(Antropólogo, investigador do ICS-UL e professor convidado da FCSH-UNL. De 1999 a 2006, foi professor visitante na UEM, em Maputo.)

Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

NO ESTERCO TAMBÉM NASCEM FLORES



Retirado do blogue Momentos de Anibal Pires

MAPUTO A CRESCER...A CRESCER!

Esta imagem é do excelente blogue "Digital no Índico". Veja este link

Sábado, 26 de Junho de 2010

UMA ALTERNATIVA RADICAL AO SISTEMA PARLAMENTAR

capa meszaros atualidade site

Em Actualidade histórica da ofensiva socialista – uma alternativa radical ao sistema parlamentar, o marxista húngaro István Mészáros propõe um enfrentamento aos “graves problemas de nossa ‘política democrática’” como forma de responder à indagação: o que continua irremediavelmente errado no que se refere às genuínas expectativas socialistas? Fugindo de explicações simplistas que apontam “traições” no momento da chegada ao poder, Mészáros aponta para a necessidade de uma crítica profunda da concepção que vê na disputa dentro do sistema parlamentar um cenário de construção de transformações sociais.

Segundo ele, o discurso político tradicional proclama o sistema parlamentar como “o centro de referência necessário de toda mudança legítima”, tratando como tabu qualquer crítica que sugira algo além de pequenas mudanças em seu funcionamento. O autor de Para além do capital propõe que a alternativa necessária a esse sistema estaria ligada à “questão da verdadeira participação”, definida por ele nos termos de “autogestão plenamente autónoma da sociedade pelos produtores livremente associados em todos os domínios, muito além das restritas mediações do Estado político moderno”.

Mészáros defende a necessidade da criação de uma alternativa estrategicamente sustentável ao sistema parlamentar que liberte o movimento socialista da “camisa de força do parlamento burguês”. Num momento de grande contraste entre as promessas do passado e as condições realmente existentes, o que está em jogo é o “fenecimento do Estado”, uma vez que, apesar de dominar o parlamento, o capital é uma força “extraparlamentar por excelência”.

Assim, o filósofo pauta a construção de alternativas pela busca da “reconstituição radical historicamente viável da unidade indissolúvel das esferas reprodutiva material e política”. Para se transformar a forma como são tomadas as decisões em nossa sociedade, é necessário “mudar radicalmente o desafio ao próprio capital como o controlador geral da reprodução sociometabólica”, o que para ele é inconcebível “pela simples derrubada política do Estado capitalista, muito menos pela vitória sobre as forças de exploração no âmbito de determinada estrutura de legislação parlamentar”.

Nota: Publicação da Boitempo Editorial

Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

INDEPENDÊNCIA DE MOÇAMBIQUE

independência de moçambique

"A burguesia não tem meios económicos para assegurar o seu dominio e distribuir, algumas migalhas por todo o país, como,além disso, está preocupada em encher as algibeiras o mais rapidamente possível, mas também o mais prosaicamente possível, o país mergulha ainda mais no marasmo.E para ocultar esse marasmo, para disfarçar essa regressão, para se tranquilizar e para ter pretextos e orgulhar-se, a burguesia tem como únicos recursos construir na capital enormes edificios, fazer aquilo que se designa por despesas de prestígio"

(Frantz Fannon in Os Condenados da Terra, pgs 172 e 173

Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

DINHEIRO ESPECULATIVO

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"Quanto dinheiro especulativo está a movimentar-se pelo mundo? Segundo uma análise da Mitsubishi UFJ Securities, a dimensão da "economia real" global, na qual bens e serviços são produzidos e comercializados, é estimada em 48,1 milhões de milhões de dólares... Por outro lado, a dimensão da «economia financeira» global, o montante total de acções, títulos e depósitos, eleva-se a 151,8 milhões de milhões de dólares. Portanto, a economia financeira inchou mais de três vezes relativamente à dimensão da economia real, crescendo rapidamente durante as últimas duas décadas
Além disso, os problemas não se esgotam de modo algum no perigoso estado do sector financeiro. Pois de modo ainda mais intratável, também os sectores produtivos da indústria capitalista estão com sérios problemas, pouco importando quão altamente desenvolvida e favorecida eles possam parecer estar através da sua posição de vantagem competitiva na hierarquia global do capital transnacional. Devido ao nosso tempo limitado, devo limitar-me a um exemplo, mas muito significativo. Refere-se à indústria automóvel dos Estados Unidos, altamente humilhada nos últimos anos, apesar de todos os subsídios recebidos do mais poderoso Estado capitalista no passado, que se contam em muitos milhares de milhões de dólares.
A imensa expansão especulativa do aventureirismo financeiro, especialmente nas últimas três ou quatro décadas, é naturalmente inseparável do aprofundamento da crise dos ramos produtivos da indústria e as resultantes perturbações que se levantam com a absolutamente letárgica acumulação de capital (e na verdade acumulação fracassada) naquele campo produtivo da actividade económica. Agora, inevitavelmente, também no domínio da produção industrial a crise está a ficar muito pior.
Naturalmente, a consequência necessária da crise sempre em aprofundamento nos ramos produtivos da "economia real", como eles agora começam a chamá-la e a contrastar a economia produtiva com o aventureirismo especulativo financeiro, é o crescimento do desemprego por toda a parte numa escala assustadora, e a miséria humana a ele associada. Esperar uma solução feliz para estes problemas vinda das operações de resgate do estado capitalista seria uma grande ilusão.
Este é o contexto em que os nossos políticos deveriam realmente começar a prestar atenção à afirmada "importante lição da história", ao invés de "distribuir grandes blocos de dinheiro público" sob a pretensa "lição da história". Pois como resultado do desenvolvimento histórico sob a regra do capital na sua crise estrutural, na nossa própria época atingimos o ponto em que devemos ser sujeitos ao impacto destrutivo de uma sempre a piorar simbiose entre a estrutura legislativa do estado da nossa sociedade e o material produtivo bem como da dimensão financeira da ordem reprodutiva societária estabelecida.
A crise estrutural do sistema do capital como um todo, a qual estamos a experimentar na nossa época, está destinada a ficar consideravelmente pior. Ela tornar-se-á na devida altura muito mais profunda, no sentido de invadir não apenas o mundo das finanças globais mais ou menos parasitárias, mas todos os domínios da nossa vida social, económica e cultural.

Excertos de uma intervenção de István Mészáros, publicada no diário.info

IMAGEM, daqui

Domingo, 20 de Junho de 2010

A AUSÊNCIA DE CAVACO SILVA

SARAMAGO

SEM COMENTÁRIOS, POR RESPEITO PELA INTELIGÊNCIA DOS VISITANTES

Em declarações aos jornalistas na ilha de S. Miguel, onde hoje termina quatro dias de férias, Cavaco Silva sublinhou que aquilo que o chefe de Estado deve fazer é "diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou deve ser feito pelos conhecidos".

"O que um chefe de Estado deve fazer é diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou deve ser feito pelos conhecidos. Devo dizer que nunca tive o privilégio na minha vida, se me recordo, de alguma vez conhecer ou encontrar José Saramago", declarou o Presidente da República.

IMAGEM:Retirada daqui

TRICHET CRITICA DURAMENTE COMPORTAMENTO DE BANCOS NA CRISE FINANCEIRA

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Trichet critica duramente comportamento de bancos na crise financeira

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), o francês Jean-Claude Trichet, criticou de forma dura as instituições bancárias devido ao seu comportamento durante a crise financeira, sublinhando que teriam desaparecido todas, se não fossem "protegidas".(Notícia do Jornal de Negócios)

Sábado, 19 de Junho de 2010

A CAMINHO DO TRABALHO FORÇADO

PASSOS COELHO

Enquanto o "pagode" se diverte com o mundial de futebol e vê a sua atenção desviada para coisas menores como saber se Sócrates mentiu ao parlamento sobre o imbróglio PT/TVI, o PSD trata de avançar naquilo que realmente importa ao grande patronato. Depois pôr na agenda a revisão futura da constituição, ter inspirado e dado o aval ao mais recente pacote anti-crise, agravando as medidas do anterior, mesmo antes de terem sido postas em prática, agora levou à Assembleia da República um conjunto de medidas "de combate ao desemprego" que se forem aprovadas reduzem a nada os cada vez mais escassos e formais direitos dos trabalhadores deixando-os completamente à mercê da dos caprichos e da vontade discricionária do patronato. Concretamente: a vigência dos contratos a prazo alarga-se dos actuais 18 meses para os quatro anos; a sua renovação passa a ser ilimitada (o que significa que deixam de haver contratos de trabalho efectivos, passando a só haver trabalho precário).

Nota: escrito por António Barata em Kaos en la Red

Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

SARAMAGO MORRE AOS 87 ANOS

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Autodidacta, antes de se dedicar exclusivamente à literatura trabalhou como serralheiro, mecânico, desenhador industrial e gerente de produção numa editora. Começou a actividade literária em 1947, com o romance Terra do Pecado.

Tinha 2 grandes defeitos que os seus detractores nunca lhe perdoaram: a sua origem camponesa e a filiação no Partido Comunista Português.



INTERNAUTA ESPANHOL,DEFENSOR DO NAZISMO, CONDENADO A DOIS ANOS DE PRISÃO

CONDENAÇÃO DE UM NAZI ESPANHOL

Um internauta de Barcelona, que criou  duas páginas web para defender o nazismo, foi condenado a dois anos de prisão por esse facto, o que representa a primeira condenação em Espanha pela difusão de ideias genocídias através de Internet.

A notícia pode ser lida aqui e aqui

Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

A QUESTÃO JÁ NÃO É A COR DA PELE

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O homem que compra bananas no mercado do Soweto está cansado de ouvir falar em tensões raciais na África do Sul. Na África do Sul, em 2010, há brancos com medo e negros com discursos de ódio? Há. Há também negros com medo e brancos com discursos de ódio. Nem uns nem outros são a maioria.

Os abismos entre as misérias (sobretudo negras) e as fortunas (sobretudo brancas) são perigosos num país com armas à solta e uma história de violência, e a História não está do lado da África do Sul. Mas nem todos os países tiveram homens como Nelson Mandela a urdir os fios do destino. É certo que alguns questionam o legado de Mandela. É certo que muitos não vêem com agrado que 87% da terra continue nas mãos de 10% da população – a minoria branca. Mas a África do Sul está a anos-luz do país a preto e branco

Os números oficiais do desemprego na África do Sul rondam os 26 por cento, os números reais ultrapassam os 40 por cento. A média é ainda mais alta nas townships. Os grandes bairros pobres – cidades satélite criadas pelo regime da segregação para manter os negros longe dos centros urbanos – tornaram-se atracções turísticas. Meio dia de bairro pobre custa o equivalente a 40 euros por pessoa e esta é uma das excursões mais requisitadas na Cidade do Cabo.

A extrema-direita órfã de Eugene Terre Blanche, que reagiu ao fim do apartheid com ataques à bomba, tem um novo líder. André Visagie

André Visagie lembra os 3300 fazendeiros brancos mortos desde o final dos anos oitenta e os 50 mil brancos mortos em todo o país desde o fim do apartheid.

“Desde o fim do apartheid morreram dez vezes mais negros do que brancos”.As estatísticas não dizem nada a André Visagie

Excerto dum artigo da Buala, que pode ser lido aqui

Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

A DEGENERESCÊNCIA DO ANC

ZUMA

Pode ser verdade que o peixe começa a apodrecer pela cabeça, mas é essencial compreender que a degeneração do ANC não resulta apenas do aumento do poder de uma elite predadora dentro do partido. Houve um tempo em que se acreditou que o poder era um projecto político colectivo que iria transformar a sociedade de baixo para cima. Agora percebe-se, em todos os níveis do partido, que ele é um meio para a incorporação pessoal numa determinada minoria que se aproveita das crescentes desigualdades da sociedade. De certo modo, este processo, mesmo que conduzindo a uma desracialização da hegemonia, não deixa muito espaço para a esperança numa sociedade melhor, se a isso limitarmos as nossas aspirações.
O ANC abandonou a linguagem da justiça social em favor da ilusão de uma linguagem pós-política de “distribuição”. Essa linguagem considera que o Estado só está obrigado a satisfazer as necessidades mais básicas da sobrevivência e que se trata de uma simples questão de eficiência técnica. O problema com a linguagem da distribuição é que a distribuição é as mais das vezes, em si mesma, uma estratégia de contenção das aspirações populares, mais do que uma estratégia para se atingir a prosperidade humana universal. Atirar com as pessoas para ”oportunidades de habitação” em guetos periféricos onde pouco mais há a esperar do que alguma assistência para as crianças ou a possibilidade de um emprego precário, contribuindo para evitar que as pessoas se manifestem na rua, promove o desenvolvimento no sentido mais perverso do termo.

Um partido que diz, e que tem de continuar a dizer, que aquilo que faz é para o povo mas que, de fato, se tornou um instrumento de progresso pessoal graças às cumplicidades de dominação, terá inevitavelmente de soçobrar na paranóia e no autoritarismo, ao tentar resolver a quadratura do círculo, pretendendo, para si próprio e para toda a gente, que o enriquecimento privado é de certo modo o verdadeiro fruto da libertação nacional.

Se há alguma possibilidade de propor uma visão política alternativa, é bem possível que tal venha a incumbir aos sindicatos, aos movimentos do povo pobre e às igrejas que já se tornaram a consciência da nossa sociedade.

Excerto do artigo de Richard Pithouse, que pode ser lido na íntegra aqui

NOTA: Richard Pithouse é professor de política na Universidade de Rhodes. Este artigo foi publicado originalmente em inglês por The South African Civil Society Information Service.

Domingo, 6 de Junho de 2010

RECUPERAÇÃO DA SOBERANIA DO IRAQUE

FIM DA OCUPAÇÃO DO IRAQUE

Depois do final de uma primeira fase de confrontação militar contra os ocupantes, os representantes políticos e civis da resistência iraquiana mantêm um diálogo sobre um programa e uma estratégia comuns, tendo em conta a necessidade de ter um interlocutor unitário tanto no Iraque como no exterior, um objectivo essencial para o futuro do Iraque, com o propósito de encontrar uma solução democrática e que resolva a crise criada no país pela invasão.

As correntes democráticas anti-ocupação estão a convergir lentamente mas de forma segura.De 18 a 20 de Junho celebrar-se-á em Gijon (Astúrias) a Conferência Internacional da Resistência Política Iraquiana

COMO PROMOVER UMA DISSIDENTE CUBANA

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A bloguer Yoani Sánchez é hoje a figura mais cortejada pela coligaçõao de forças que combate a revolução cubana, liderada por Washington e composta por outros governos, por partidos políticos, por órgãos da mídia e por ONGs do mundo inteiro

Adenda: Vale a pena ler a entrevista que Yoani Sánchez concedeu ao jornalista francês Salim Lamranium, aqui

O MUNDO (EXCEPTO E.U.) ESTÁ CANTANDO: "Gaza on My Mind"

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Quarta-feira, 2 de Junho de 2010

BASTA DE CRIMES - ASSINE A PETIÇÃO


Assine a petição do Tribunal BRussells aqui

Israel: Um governo de piromaníacos põe fogo no Oriente Médio

UriAvnery

“Ninguém no mundo acreditará nas desculpas e mentiras do governo de Israel e dos porta-vozes do Exército” – disse o ex-deputado Uri Avnery, do movimento “Bloco da Paz”.

Hoje é dia de desgraça para o Estado de Israel. Dia de ansiedade, em que descobrimos que nosso futuro está entregue a um bando de alucinados, todos de armas engatilhadas, atirando sem qualquer senso de responsabilidade. Hoje é dia de desgraça e loucura e estupidez sem limites. Dia em que o governo de Israel enlameou o nome do país ante todo o mundo, juntou mais provas, a comprovas que a imagem de uma Israel brutal, agressiva, não é invenção de propaganda. Hoje Israel dá um passo gigantesco afastando-se dos poucos amigos que nos restam no mundo.

Terça-feira, 1 de Junho de 2010