Figuras proeminentes do nacionalismo e da revolução no país - criticaram e criticam a governação do país, o que deixa indispostos certos círculos e seus intelectuais orgânicos. (Carlos Serra) Recentemente fui surpreendido por uma espécie de guerra ideológica que tem como cenário os blogues do costume, em Moçambique!
O pretexto, o pano de fundo, são as declarações produzidas por Jorge Rebelo e outros “críticos”nomeadamente Marcelino dos Santos e Graça Machel.
Adulterando, reinventando a linguagem e os conceitos num mero exercício apologético do neoliberalismo e das democracias ocidentais (leia-se burguesas), investe-se na diabolização de cidadãos que pensam diferente e que reclamam o direito à indignação.
Tenho a ideia que a grande maioria dos trabalhadores moçambicanos retém uma boa imagem do primeiro presidente do País. E os outros?
Recordando Fannon: “A burguesia colonialista tinha metido, a golpes de pilão, na cabeça do colonizado a ideia de uma sociedade de indivíduos em que cada qual se encerra na sua subjectividade e que as essências continuam a ser eternas, apesar de todos os erros imputáveis aos homens. As essências ocidentais, bem entendido…”
Numa crítica velada aos sistemas socialistas evoca-se a veleidade igualitarista, em contraponto com a democracia política e económica que é oferecida pelos regimes “modernaços” (leia-se ao serviço de poucos)!
Desde o primeiro momento que os regimes progressistas foram (continuam a sê-lo) acossados, cercados e objecto de uma conspiração à escala global. Em termos históricos, a sua existência é efémera quando comparada com a longa noite capitalista. Depois, não se pode responsabilizar uma boa receita quando o preparado se queimou no forno. Não se confunda a árvore com a floresta.
Noutros territórios da ideologia, inúmeros intelectuais comunistas criticaram severamente determinadas politicas. Ninguém os ouviu, ninguém os conhece, nem é relevante falar deles. O melhor é apropriarmo-nos de algumas das suas ideias e desencadearmos campanhas infames contra os regimes socialistas
A este propósito ocorre-me recordar que o capitalismo tem séculos de existência! já se esgotou há muito como modelo de desenvolvimento ideal. É ao nível das relações de produção e da distribuição da riqueza que radicam as verdadeiras razões da sua ineficácia e agonia permanentemente adiada.
As suas crises, cíclicas e/ou estruturais são endémicas, cumulativas, crónicas e permanentes; e suas manifestações são o desemprego estrutural, a destruição ambiental e as guerras permanentes. (István Mészáros)
O instinto de posse (ou instinto de propriedade privada) é o antípoda da solidariedade e da justiça social. São mais que muitos os que almejam engrossar o exército dos detentores de capital, dos privilegiados, dos donos do Poder.
Aos que se contentam com algumas migalhas é-lhes reservada a tarefa de divulgação e defesa dos ideais do capitalismo puro e duro!
No entanto, as realidades económicas, as desigualdades e a enorme diferença dos modos de vida nunca conseguem encobrir as realidades humanas.
O empobrecimento de quem trabalha cresce e, contrariamente ao que os sectores mais retrógrados defendem, o desenvolvimento económico não pode cavalgar perpetuamente à custa dos sacrifícios e da exploração dos mesmos de sempre.
O ímpeto revolucionário e socializante da FRELIMO, pertence ao passado. Completamente descaracterizada e esvaziada de valores de progresso e de justiça social, encontra-se na defensiva. O chamado socialismo democrático é uma área opaca e híbrida e que se traduz numa fuga para a frente: são eufemismos, são álibis e recursos linguísticos habilmente manipulados para justificarem a sua adesão a projectos e politicas neoliberais e penalizadoras da grande maioria dos cidadãos.
Graças a uma espécie de linguística política, nunca se chama violência à acção policial!
A delapidação do erário público, os crimes económicos, a arrogância e o abuso do Poder, as desigualdades sociais, a fome e o desemprego são uma forma infame de violência.
Mas chama-se violência, com toda a facilidade, à acção dos populares, estudantes, e operários que reivindicam os seus legítimos direitos, se defendem da polícia e exigem o respeito pelos direitos humanos. A moralização da vida politica em Moçambique, que constitui um dos objectivos dos moçambicanos progressistas pode muito bem ser o pretexto, a rampa de lançamento, para que este sector possa emergir e contribuir para tornar possível o impossível, aprendendo a ler os sinais que a sociedade emite.
Finalizo, recordando Mészáros: “a posição das ideologias conflituantes é decididamente assimétrica. As ideologias críticas, que procuram negar a ordem estabelecida, não podem sequer mistificar seus adversários pela simples razão de não terem nada a oferecer - nem mesmo subornos ou recompensas pela aceitação – àqueles já bem estabelecidos em suas posições de comando, conscientes de seus interesses imediato palpáveis. Portanto o poder de mistificação sobre o adversário é privilégio exclusivo da ideologia dominante”
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